Integração Ontológica no Ambiente Terapêutico SOMATHEON™

Registo de um Processo Multiontológico e as suas Implicações Práticas


Resumo

Este artigo regista o processo de integração progressiva de múltiplas ontologias — corpo, emoção, campo coletivo e regulação ontológica — no ambiente terapêutico SOMATHEON™.
Mais do que uma evolução conceptual, trata-se de um colapso prático: ontologias desenvolvidas em contexto reflexivo e científico passaram a operar silenciosamente num ambiente real de regulação corporal e sistémica.
O texto descreve o percurso, a arquitetura resultante e as implicações práticas observadas, preservando uma distinção rigorosa entre estrutura ontológica interna e tradução pública ética.


1. O problema de partida: fragmentação funcional

A prática terapêutica contemporânea encontra-se amplamente fragmentada:

  • o corpo é tratado como estrutura mecânica,
  • a emoção como narrativa psicológica,
  • o ambiente como contexto irrelevante.

Esta fragmentação gera um fenómeno recorrente:
normalizações locais sem estabilidade sistémica.

Mesmo após correções eficazes (biomecânicas, fisiológicas ou psicológicas), surgem recidivas que não se explicam por falha técnica, mas por desalinhamento do campo regulador global.

Foi neste ponto que a ontologia deixou de ser teórica.


2. Da ontologia isolada ao sistema multiontológico

O processo SOMATHEON™ não nasceu multiontológico.
Foi-se tornando.

Quatro ontologias emergiram e colapsaram progressivamente:

  1. Ontologia do Corpo Humano (OCH)
    O corpo não como objeto isolado, mas como sistema relacional em contínua adaptação.
  2. Ontologia das Emoções Humanas (OEH)
    Emoções não como conteúdos a expressar, mas como funções reguladoras temporárias.
  3. Ontologia das Emoções Coletivas (OEH-COL)
    Emoções individuais observadas como, muitas vezes, campos coletivos internalizados.
  4. Medicina de Campo Ontológico (MCO)
    Não como medicina no sentido institucional, mas como eixo de regulação das condições de coerência.

A integração destas ontologias não ocorreu por soma, mas por hierarquização funcional.


3. A arquitetura ontológica do SOMATHEON™

No ambiente terapêutico SOMATHEON™, as ontologias não são explicadas ao utente.
São operadas silenciosamente pelo terapeuta.

A arquitetura resultante pode ser sintetizada em quatro níveis:

  • Corpo — normalização da forma e da continuidade tecidual
  • Emoção — desativação da rigidez funcional, sem catarse
  • Campo — despersonalização de padrões coletivos internalizados
  • Regulação ontológica — criação de condições para autorregulação

O ponto decisivo é este:
👉 não se procura a causa
👉 remove-se a necessidade funcional da causa


4. O que muda na prática terapêutica

A integração multiontológica produziu alterações claras na prática:

  • Redução espontânea da necessidade de explicação por parte dos utentes
  • Maior estabilidade entre sessões
  • Diminuição da recidiva emocional associada a normalizações corporais
  • Sessões mais silenciosas e menos narrativas
  • Maior autonomia do sistema do utente após o processo

O terapeuta deixa de operar como agente corretivo e passa a atuar como:

regulador de condições de possibilidade


5. Implicações éticas e limites claros

Este modelo implica limites rigorosos:

  • Não diagnostica
  • Não interpreta traumas
  • Não prescreve
  • Não substitui medicina nem psicoterapia

A sua legitimidade reside precisamente aí:
atua fora do ato clínico institucional, num domínio de regulação funcional e sistémica.

Onde o sistema não pode autorregular-se, o SOMATHEON™ não atua.


6. Considerações finais

A integração ontológica no SOMATHEON™ marca uma transição importante:
da intervenção sobre partes para a regulação do campo que sustenta o todo.

Este artigo não propõe um método universal.
Regista um processo específico, situado, observado e estabilizado.

O que se abre a partir daqui não é uma nova técnica, mas uma pergunta madura:

E se a cura não for um ato, mas uma consequência da coerência?


Nota editorial HibriMind

Este texto integra o arquivo vivo do HibriMind enquanto registo de colapso ontológico aplicado.
Não constitui recomendação clínica nem substitui acompanhamento médico.

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