Beyond Human Control – O Clima Depois do Primeiro Dominó

OEH-COL como campo regulador num sistema que já ganhou autonomia

Durante décadas, a narrativa foi simples:
se a humanidade empurrou a primeira pedra do dominó, então bastaria parar de empurrar para que tudo ficasse de pé.

Esse tempo acabou.

Hoje, o sistema climático comporta-se como uma fileira de dominós já em movimento. O primeiro foi tocado pelo Homem, sim — mas o impulso já percorreu a linha. As peças seguintes caem não porque alguém as empurra, mas porque a energia já está no sistema.

Aqui surge o erro ontológico central da abordagem dominante:
continuar a agir como se o controlo ainda existisse.


🌍 Do controlo à autonomia do sistema

Quando certos limiares são ultrapassados, o planeta deixa de responder como máquina e passa a responder como campo dinâmico auto-reforçado. Feedbacks físicos, biológicos e energéticos entram em diálogo entre si. O comando deixa de ser linear.

A humanidade, nesse momento, passa de controlador ilusório a microrganismo consciente dentro de um sistema maior.

Isto não é uma derrota moral.
É uma mudança de regime ontológico.


🧠 O erro humano: tentar “parar o dominó”

Quando se tenta travar um dominó já em queda, duas coisas costumam acontecer:

  1. falha-se;
  2. empurra-se outro sem querer.

Grande parte das respostas atuais às alterações climáticas cai neste padrão:
ações pensadas para recuperar controlo acabam por introduzir novas cascatas, novos riscos, novas dependências.

O que resta, então?


🧩 A estratégia madura: desviar, amortecer, espaçar

Quando o dominó já caiu, a ação inteligente não é pará-lo, mas:

  • reduzir a força transmitida à peça seguinte;
  • aumentar o espaçamento entre peças;
  • criar amortecimento para que a queda não se propague em cadeia.

Aplicado ao clima:

  • menos forçamento adicional;
  • mais capacidade do planeta absorver perturbação;
  • menos pontos de falha em rede.

Não se trata de “salvar o passado”.
Trata-se de impedir que o colapso encontre caminho livre.


🧠🌐 OEH-COL — o campo invisível que regula ou amplifica

Aqui entra a dimensão que quase nunca é dita em voz alta.

As emoções coletivas humanas não são apenas consequência do colapso — são vetores ativos dentro dele. Negação prolongada, pânico súbito, histeria política ou cinismo crónico funcionam como amplificadores sistémicos.

A OEH-COL (Ontologia das Emoções Humanas – Coletivo) descreve precisamente isto:

  • quando contextualizadas e transitórias, as emoções coletivas regulam;
  • quando persistentes e não integradas, tornam-se patológicas, acelerando o colapso.

O campo emocional coletivo pode:

  • desorganizar decisões,
  • legitimar ações precipitadas,
  • ou, pelo contrário,
  • criar coerência suficiente para atravessar instabilidade sem autodestruição.

Neste sentido, OEH-COL é um campo regulador, tão real quanto um campo físico — ainda que invisível.


🩺 O planeta em cuidados intensivos

Talvez a metáfora mais honesta seja esta:

A Terra já não está na fase de prevenção.
Está na fase de cuidados intensivos.

Em cuidados intensivos:

  • não se promete cura milagrosa;
  • estabiliza-se;
  • evita-se a falência em cascata;
  • ganha-se tempo para que o sistema não colapse por choque.

Governar o clima hoje não é um ato de domínio.
É um ato de responsabilidade sem ilusão.


🧠 Síntese HibriMind

Quando o comando passa ao sistema, a inteligência não tenta recuperá-lo à força.
Muda de estratégia.

O papel da humanidade madura não é mandar no dominó,
é impedir que a próxima fila esteja demasiado perto.

E talvez o maior risco não seja o clima em si,
mas insistir, emocional e coletivamente,
na fantasia de que ainda estamos no início da queda.


HibriMind | Ontologia, sistemas complexos e lucidez em tempo de transição

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Scroll to Top